1997 – As Marcas do Contraste Social


A força da torcida alvinegra na década de 90.

No dia 23 de outubro de 1997, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria em circulação nacional que abordava a crise do futebol de Florianópolis, cogitando, inclusive, a fusão entre Avaí e Figueirense. A reportagem descreveu a lastimável situação na qual se encontrava o futebol da cidade, mas preocupou-se em destacar os aspectos que sempre diferenciaram a natureza de cada clube:

“Clube mais popular da capital, o Figueira é uma espécie de Corinthians do Sul, que, a exemplo do paulista, adota uniforme alvinegro e possui torcedores conhecidos como gaviões (...) O Figueirense deve cerca de R$ 1 milhão, entre dívidas trabalhistas, rescisões contratuais e até atraso no pagamento de luz e água. A renda mensal, obtida com os associados, é de apenas R$ 25 mil.”


Caravana alvinegra no Paraná, Série "C" de 1996.

“Considerado um clube de elite, o Avaí tem entre seus torcedores comerciantes, empresários e profissionais liberais. Na hora do aperto, essa torcida endinheirada não deixa o time afundar afirmou Alexandre de Campos, vice-presidente da torcida organizada Trovão Azul.”

Aliás, um grito da torcida avaiana que ilustra muito bem essa condição cultural, é o que costumava surgir logo após um gol do Avaí contra o Figueirense: “ela ela ela, silêncio na favela”.

Na prática, as preferências se universalizaram e a diferença social, marcante até certo tempo, já não existe mais. O que persiste, e é ressaltado pelo cotidiano, é uma notável maioria alvinegra em todas as classes, sobretudo (e aí se insere uma tradição deste clube), nas comunidades mais carentes.


Créditos: Arquivos do Folha Online e LDrão.

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